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História

Familia Lampert Braford da Girassol

PEDRO IVO LAMPERT E O INÍCIO DO BRAFORD DA GIRASSOL

 Natural da cidade de Cruz Alta, mas criado desde sua infância em Tupanciretã, Pedro Ivo Costa Lampert completa 80 anos em 9 de setembro de 2023. Mesmo vindo de uma família com vínculos fortes no meio rural, era só no momento das férias escolares que tinha contato com a propriedade da família. “Eu era totalmente urbano”, destaca Pedro Ivo Lampert ao recordar do tempo em que realizava seus estudos em Santa Maria onde se formou em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e depois morou cerca de 20 anos em Porto Alegre onde trabalhou na Metroplan (Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional). 

 

Sempre apaixonado pelo campo e por gado, manteve viva as memórias de quando vinha passar as férias acompanhando seu pai nas lidas campeiras. Mas, ainda naquela época, o desejo por adquirir novos conhecimentos e experiências, ampliando horizontes, ainda o mantinha residindo na capital gaúcha, longe das terras do atual município de Quevedos (na época ainda distrito de Júlio de Castilhos). Assim, traçou uma meta de que se fosse bem-sucedido como engenheiro, voltaria para se dedicar à criação de gado que era a sua grande paixão.  

 

O rebanho em questão era Hereford, que é a raça de onde se origina o Braford juntamente com o cruzamento com o Nelore. “Meu pai era muito à frente da sua época”, enfatiza ao se referir aos métodos utilizados pelo seu patriarca Ernesto Segundo Lampert que trazia animais de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, para enriquecer e diversificar a genética da sua produção bovina. Todo este pensamento vanguardista também exigia bastante esforço e dedicação já que, para poder realizar o processo de inseminação artificial em seu rebanho na década de 1960, seu pai levava os animais a pé da propriedade em Quevedos até Tupanciretã (um trajeto equivalente a 48 km). Na década de 1970, alguns anos antes de falecer, seu Ernesto ficou cego e já se preocupou em dividir as terras entre seus seis filhos (sendo três homens e três mulheres), chegando a fazer para os herdeiros um documento onde oficializavam sua parceria e união como sociedade.

No início da década de 1980, a propriedade era inicialmente de campo aberto e toda a estrutura física foi sendo construída do zero a partir dos projetos sob responsabilidade do Engenheiro Civil que aos poucos ia tomando as rédeas de sua nova função, a de pecuarista. Assim, a sua produção bovina iniciou com o gado Charolês e que foi acrescentando com outras cabeças do rebanho que tinha herdado de seu pai e de seu sogro. Neste período, Júlio de Castilhos era considerada a Capital Nacional do Charolês, por este motivo foi essa a raça escolhida pela família Lampert para começar sua nova criação.

No final da década de 1980, com a cabeça e o coração já nos campos de Quevedos, Pedro Ivo toma a decisão de deixar a capital e de se mudar com a família para a Região Central do Estado onde viveu na cidade santa-mariense até se estabelecer de vez na propriedade da família. Enquanto isso, filhos Vinicius e Luciana permaneciam em Santa Maria e concluíam as graduações em Zootecnia e em Direito na UFSM. No início da década de 90, o casal Pedro Ivo e Ana se mudaram para Quevedos e juntos se dedicaram na administração da propriedade.

Gado Braford da Girassol

AGROPECUÁRIA GIRASSOL E A CRIAÇÃO DE UM GADO DIFERENCIADO

A propriedade foi batizada como Agropecuária Girassol, nome escolhido por razão de ser bastante significativo e representativo remetendo às escolhas da vida já que ela” procura o sol” estando sempre seguindo as melhores condições para se desenvolver e impactar positivamente o ambiente em que está inserida. O que é algo emblemático, já que a busca pelo constante aperfeiçoamento está intrínseco no DNA da Agropecuária Girassol. Mesmo antes de fincar raízes no solo cheio de pasto, ele investia grande parte dos seus ganhos em animais e na infraestrutura para garantir uma criação bovina de qualidade.

A escolha do Braford foi rápida devido à uma pessoa em especial: o pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), José Fernando Piva Lobato. “Eu já conhecia o professor Lobato de tempos, mas foi numa excursão realizada por ele para Dom Pedrito a fim de apresentar a raça Braford que me apaixonei pelo que vi”, conta do seu primeiro contato com os animais que mais de 30 anos depois se dedicaria a aprimorar a genética com grandes resultados. Logo após, em viagem à Campanha gaúcha, adquiriu algumas novilhas da Estância Guatambu e depois foi na Expointer que comprou exemplares de touros para dar start no seu projeto Braford. Assim, uma nova configuração de produção pecuária foi tomando forma ao se estabelecer 100% com as características da pelagem vermelha, da cara branca e da rusticidade típicas da raça. 

De acordo com Pedro Ivo Lampert, há dois motivos de por que comprar o gado da Girassol. O primeiro porque ele é Braford, uma raça sintética que é forte e resiste bem adversidades de clima (frio e calor extremos) e muito bem adaptada à região. Em segundo, por uma questão que é característica exclusiva destes animais que estão sendo ofertados: os índices. Todo o animal, desde o nascimento até o abate, tem todos as suas informações genéticas e zootécnicas controladas e cadastradas a fim de gerar um diagnóstico preciso de quem é e como se comportará cada cabeça promovendo um diferencial para o criador. Este controle se dá por meio da rastreabilidade oficial do Brasil (SISBOV) e de chips eletrônicos colocados na orelha dos animais, registrando e detalhando parâmetros nas várias fases da sua vida.

Vinicius Lampert e Pedro Ivo Lampert Braford da Girassol

O OLHAR APAIXONADO DO PAI E A PRESTEZA TÉCNICA DO FILHO

Se Pedro Ivo Lampert teve o senso visionário ao dar início à uma criação focada na qualidade de uma raça forte, cercando-se de profissionais e das melhores opções genéticas. Vinícius, seu filho, trouxe a qualidade técnica, a gestão de dados e o refinamento da raça que foram primordiais para o sucesso e reconhecimento que tem hoje o Braford da Girassol.

Natural de Porto Alegre, Vinícius do Nascimento Lampert hoje é Zootecnista, Pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, pecuarista e grande responsável pela implantação e uso de tecnologias e de sistemas para análise de dados na Agropecuária Girassol. Mas o começo da sua trajetória profissional apontava para outros rumos já que, por dois anos cursou a faculdade de Engenharia Mecânica e, como já tinha acontecido anteriormente com seu pai, foi o dia a dia rural e a realização de um curso de inseminação artificial enquanto cursava Engenharia e participação em eventos técnicos que mostraram um novo caminho de possibilidades. 

Assim, trocou de curso e encontrou na Zootecnia um terreno fértil para desenvolver suas habilidades e uma maneira de adquirir conhecimento para aplicá-los na propriedade da família. No ano de 2002 especializou-se em Administração Rural e concluiu seu Mestrado em Economia Aplicada ambos na Universidade Federal de Viçosa – UFV (em Minas Gerais) e em 2010 tornou-se Doutor em Zootecnia - Sistemas de Produção de Ruminantes pela UFRGS. Antes de retornar para o Rio Grande do Sul, onde vive até hoje, foi professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) se dedicando às áreas de Administração Rural, Gestão do Agronegócio e Economia Rural.

Novilhas Braford da Girassol

PECUÁRIA DE PRECISÃO E O USO DA TECNOLOGIA DE DADOS NO CAMPO

“Meu foco, perto ou longe de Quevedos, sempre foi estudar e me especializar em temas que um dia pudessem ser aplicados aqui na fazenda. A minha primeira imersão na propriedade foi há 20 anos atrás quando, em 2004, após ter passado no curso da UEMS morei na fazenda por um ano, onde pude junto com o meu pai, informatizar e aplicar técnicas modernas de gestão na Girassol. Quando voltei de vez para o Rio Grande do Sul, há mais de 10 anos atrás, me aproximei da tomada de decisões do dia a dia tendo uma da participação ativa no gerenciamento”, destaca Vinícius.

A virada de chave para a contínua melhoria genética do Braford da Girassol e intensificação da produção, foi a consolidação de processos que permitiram transformar dados em informações gerando os subsídios necessários para aperfeiçoar o conhecimento existente sobre o rebanho. E essa contribuição sempre esteve aliada ao manejo e ênfase numa gestão que valoriza a produção e relação solo, planta e animal numa produção baseado no pasto impacta toda a propriedade, ou seja: “A partir de uma boa nutrição do solo, pastagens adequadas e animais com genética capaz de expressar todo o seu potencial reprodutivo e ponderal das fêmeas em cima do campo nativo vem sendo possível colher estes excelentes resultados”, explica.

Estes fatores reunidos irão sempre prezar pelo alto desempenho de carne que o produtor enxerga quando faz a entrega ao frigorífico: um animal pesado, bem-acabado e jovem que atingem a Cota Hilton (compreende uma determinada quantidade de carne bovina, fresca ou resfriada, sem osso e com alto padrão de qualidade, destinada à exportação para a União Europeia). “Cerca de 90% dos machos abatidos no frigorífico são Cota Hilton”, aponta Vinícius ao enfatizar este diferencial produtivo e de valor que são atendidas pelo Braford da Girassol onde todos os animais são rastreados. Exemplo disso é que, no ano passado, toda a produção de novilhos (24 meses) da propriedade obteve o rendimento de carcaça médio de 56,6% (com o mínimo de 56,3 e o máximo foi de 57,1) o que traz um diferencial enorme em relação à média geral que é de 50% a 52%. É importante salientar que esta diferença de 5 pontos percentuais representa aumento em 10% no faturamento dos animais levados ao abate.

Outros pontos são: a valorização das fêmeas que obtém GMD (ganho médio diário) mais elevados, onde as novilhas que não apresentam um bom desempenho em campo nativo são descartadas e vendidas gordas para o frigorífico. A capacidade do rebanho apresentar um percentual maior de reprodução é tratada de uma forma profissional no sentido de que as matrizes não eficientes são retiradas do sistema, inclusive as primíparas, ou seja, todas as fêmeas pertencentes a este rebanho nunca falharam na vida.

O reflexo de tudo isto pode ser observado nas taxas de prenhez da Girassol que são acima de 90%, onde nos últimos cinco anos a taxa de desmame sempre ultrapassou os 80%, enquanto no RS a taxa é de 56%. Todos estes aspectos dão uma capacidade de selecionar os melhores exemplares, o que configura um luxo de pressão de seleção dentro da raça proporcionando a quem for adquirir uma novilha no Remate, obter a garantia de sucesso e assertividade na reprodução. E é por meio do processo de monitoramento que são obtidos os seguintes indicadores: GMD, taxa de desmame nas fêmeas, rendimento de carcaça e carga animal. Este último índice foi o que gerou grande impacto na criação já que, quando se está melhorando solo e fertilidade, você sai do 0,75/unidades animais que é a média e vai para 1,25, ou seja, na mesma área de campo é possível produzir com mais eficiência. 

Todos estes dados e informações medidos pela equipe da Agropecuária Girassol irão servir como influenciadores de excelentes resultados que serão sentidos pelo pecuarista tanto dentro e fora das porteiras. São medidores fundamentados em um trabalho profissional, preciso e que envolve conhecimento de ponta para o desenvolvimento de animais com elevados índices de qualidade, com alto potencial de rentabilidade e com eficiência bem acima da média comprovada.

Remate Braford da Girassol

O REMATE

No leilão BRAFORD DA GIRASSOL que ocorrerá no dia 5 de setembro às 19h, de forma virtual com o leiloeiro Fabio Crespo no comando do martelo e transmissão ao vivo pelo Lance Rural, uma oferta de 80 animais entre fêmeas e machos estarão em pista. 

São 40 touros de 2 e 3 anos oriundos do processo de seleção de mais de 30 anos feito pela propriedade e que conseguirão imprimir na sua progênie animais completos e semelhantes aos que são testados e aprovados dentro da porteira da Agropecuária, com as caraterísticas de serem jovens e pesados. Em remate também estarão 40 novilhas de 24 meses prenhas que chamam atenção pelo excelente desempenho ponderal do desmame ao acasalamento e por serem filhas de mães aprovadas no criatório.

Esta é uma oportunidade única que o comparador tem de aprimorar a genética da sua criação bovina ao adquirir animais altamente selecionados e com pedigree atestado por métricas e com a comprovação de resultados. “Esse refinamento é para o produtor que quer aumentar seu rendimento de carcaça, ou seja, animais que possam entregar um produto com um percentual maior de carne no que tange aos machos. E nas fêmeas o destaque é uma prenhez elevada e as principais características da raça Braford que nós apuramos durante o processo de seleção que é bem cuidadoso. Estamos ofertando animais de características bem diferenciadas e exclusivas”, enfatiza Vinícius Lampert.

Gado Braford da Girassol

QUANDO A LOCALIZAÇÃO, O CLIMA E A VEGETAÇÃO DO BIOMA PAMPA TAMBÉM SÃO PROTAGONISTAS

Um dos diferenciais da propriedade é manter os animais à pasto para manter a alta produção aliada à excelência da carne com uma estrutura morfológica de destaque que é sustentada por uma carcaça pesada, bem acabada e predominantemente de animais jovens. Por isso, são criados em campo nativo, alimentados na recria e engorda em pastagens como o tifton e capim-sudão no verão, além de aveia e azevém no inverno. A localização da Agropecuária Girassol é outro ponto de valorização já que, a propriedade está inserida dentro do Bioma Pampa (mesmo que geograficamente pertencendo à Região Central onde a maioria da vegetação é de Mata Atlântida). E essa variável interfere direta e positivamente no sistema de produção da fazenda, desde o pasto nativo às condições climáticas. 

De acordo com Vinícius Lampert, a produção é realizada à pasto, refletindo comprovadamente na qualidade e maciez da carne, onde a propriedade tem 50% de preservação do campo nativo do Bioma Pampa: “Para nós é fundamental a utilização do campo nativo, principalmente nas fases de cria e recria quando as matrizes permanecem 10 meses por ano na pastagem nativa e as novilhas permanecem no campo durante a primavera e o verão. Já na fase da recria dos machos, utilizamos basicamente o tifton e a cultivar BRS Estribo de capim-sudão desenvolvido pela Embrapa em parceria com outras instituições, que elevam o ganho de peso no verão. E no período da terminação, que é a fase da engorda, utilizamos a aveia e o azevém”.

DEPOIMENTO DE QUEM CONFIRMA A EXCELÊNCIA DA PRODUÇÃO 
Marcelo Louzada, Médico Veterinário e Produtor Rural

“Formou-se, aqui, um biótipo só baseado em dados de produção no final da cadeia (já que temos o controle do que está indo para o frigorífico). E este acompanhamento catalogado, do nascimento até o abate, não tem ninguém quem faça dentro da raça Braford ou de outras raças que trabalham aqui na região Sul do Brasil. E Iisso que traz uma conotação diferente, relevante e de ineditismo para a Agropecuária Girassol, linkando ao tipo de animal que está sendo ofertado em leilão que é aquele que vai oferecer resultados positivos lá na frente. 

 

O animal daqui é formado por um tipo que se espera que seja produtivo por ser um gado carniceiro e com uma boa composição corporal entre estrutura óssea, gordura e musculatura. E, quando isso vem com dados fortes da propriedade para validar isso, tu tens a certeza de que é este o caminho para andar bem. Tudo isso através de dados reprodutivos como os de fêmeas de 15 anos que nunca falharam uma gestação. E quanto à criação do terneiro parido também há a conferência de dados que mostram mães que criaram maus terneiros são colocadas para descarte. 

 

Isto tudo te dá a garantia de longevidade da raça! E o que faz uma raça prosperar é a capacidade de produção de carne (em quantidade e qualidade), no que tange aos bovinos de corte. Têm-se aqui boas mães como deve-se ter em todas as espécies e quando trabalha-se com quantidade o pinçar destas matrizes de destaque é mais difícil, só que neste ponto a Agropecuária Girassol fica em evidência por se atentar nessa seleção que é demorada e merece atenção, mas que no final traz resultados muito bons e que interessam de fato ao produtor. 

 

São machos e fêmeas que irão propor assertividade de resultados de melhoramento quando inseridos em um novo rebanho, ou seja, é um investimento em qualidade de produção que o futuro comprador irá fazer. Além de trazer a otimização de processos já que, junto, adquire-se também dados que mostram fenotipicamente um animal produtor de carne”. 

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